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23 agosto, 2022

Rotary ajuda a dar mais sabor a projeto na Maré

Vozes do Rotary - Publicado em 22 de agosto de 2022, por Aurea Santos, especialista em Comunicação no escritório do Rotary International no Brasil 
Para as mulheres da Maré, bairro do Rio de Janeiro que reúne 16 comunidades, a capacitação profissional em gastronomia é mais do que um caminho para o mercado de trabalho. Em um lugar que é casa para 140 mil pessoas, a gastronomia é uma porta aberta para a autonomia, para o empreendedorismo e para um empoderamento tão necessário a mulheres de baixa renda. E é nesse contexto que o Rotary Club do Rio de Janeiro se uniu à organização Redes da Maré em dois projetos em torno de uma cozinha e boa comida. 
Em 2010, a Redes criou o projeto Maré de Sabores, que nasceu dentro de uma escola pública para capacitar as mães daqueles alunos a atuarem com gastronomia. A iniciativa despertou o interesse de mães de outras escolas, fazendo com que a ação crescesse e se tornasse um projeto de capacitação para as mulheres da Maré. 
Projeto ajudou a dar novos rumos na carreira e na vida das participantes
Em 2017, o projeto já tinha passado para a Casa das Mulheres, espaço dedicado ao desenvolvimento das mulheres mareenses. A falta de equipamentos apropriados, no entanto, era um entrave ao bom funcionamento do projeto. Faltava uma estrutura de cozinha industrial para que as participantes pudessem ter um aprendizado adequado. 
Assim, naquele ano, o Rotary Club do Rio de Janeiro, que já era parceiro da Redes da Maré em projetos na área de educação, resolveu embarcar nessa jornada. Em um projeto que contou com o apoio do Rotary Club de Weinhein, na Alemanha, e financiamento da Fundação Rotária, foram investidos mais de US$ 96 mil para equipar a cozinha da Casa das Mulheres. “Eu já conheço a Rede de Desenvolvimento da Maré há mais de 20 anos”, destaca Christa Bohnhof-Grühn, associada do Rotary Club do Rio de Janeiro. Alemã, Christa faz a ponte com os clubes de seu país de origem, que costumam buscar bons projetos para apoiar. 
“Eu conheço a Redes e sei que sempre estão precisando de alguma coisa. Então, pergunto a elas se têm alguma necessidade e, assim, se desenvolvem esses projetos”, conta. O investimento permitiu a compra de equipamentos como batedeira, fermentadora, modeladora de pão, fatiadoras de pão, bancadas para cozinha, moedor de carne, embaladora à vácuo e outros. 
Com a cozinha equipada, foi possível oferecer oficinas de gastronomia a 120 mulheres. As oficinas incluíam aulas de gastronomia básica e avançada, e também de gestão. Mariana Aleixo, coordenadora do projeto Maré de Sabores, conta que os resultados das oficinas vão muito além da conquista de uma vaga de emprego. 
“Para nós, o impacto do projeto é também quando essas mulheres retomam os estudos, quando elas acabam saindo de ciclos de violência a partir dessas referências produzidas aqui na casa”, diz. 
A procura pelas oficinas é grande, aponta Mariana. Segundo ela, cada turma aberta oferece 40 vagas, mas recebe cerca de 300 inscrições. O processo de seleção leva em conta diferentes fatores. “A gente faz entrevista com essas 300 mulheres. No processo de entrevista, participam uma psicóloga ou uma assistente social e uma pessoa que é instrutura do Maré de Sabores. Então, é uma pessoa técnica e uma pessoa para ver as dimensões sociais dessas mulheres”, explica a coordenadora.
Para ilustrar o impacto que a formação em gastronomia tem na vida das mulheres da Maré, Mariana conta um pouco sobre a economia da região. “A Maré tem 3182 empreendimentos comerciais, 1118 são de alimentação. A gastronomia é um forte setor econômico, e nós estamos fortalecendo esse setor, fortalecendo as mulheres para elas empreenderem e trabalharem dentro do território com alimentação”, destaca.
Merendeiras 
Com o sucesso dessa parceria, este ano, teve início um novo projeto entre o Rotary Club do Rio de Janeiro e o Maré de Sabores. Dessa vez, a iniciativa contou com o apoio do Rotary Club de Wiesbaden, também da Alemanha. 
O novo projeto visa capacitar merendeiras escolares no preparo de uma alimentação com mais qualidade para os alunos. “A rede nos apresentou esse projeto, atender as merendeiras para que aprendessem a cozinhar uma comida mais saudável para as crianças. Achamos interessante e decidimos fazer”, destaca Christa. 
De acordo com Mariana, a Maré conta com 50 escolas, sendo apenas quatro de ensino médio. Enquanto isso, 25% da população está em idade escolar. Ela lembra que a escola precisa ser um ambiente que garanta a segurança alimentar das crianças, e ressalta a importância do papel das merendeiras nessa questão ao apontar questionamentos que ajudaram a direcionar o projeto. 
Mariana (dir.) é coordenadora do Maré de Sabores
“Geralmente, a merendeira não é referência dentro da escola (como costuma ser a diretora). Então, como a gente melhora a qualidade dessa alimentação nas escolas, como a gente colabora ou forma essas merendeiras para elas entenderem o papel fundamental que elas têm que é apoiar outras mulheres no território com a alimentação?” 
Mariana lembra ainda que as refeições nas escolas são guiadas pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que prioriza o preparo com produtos in natura e minimamente processados. No projeto em parceria com o Rotary, ela conta que as merendeiras também são preparadas para pressionar para que as escolas não recebem alimentos processados. 
Para ajudar nesse processo de formação das merendeiras, o projeto contempla ainda o trabalho de uma arteterapeuta e de uma nutricionista, além de aulas que abordam questões de gênero. O objetivo é oferecer uma formação completa às merendeiras, com capacitação também para bordado e em questões sociais. As aulas de gênero também são oferecidas a pais de alunos e estudantes adolescentes. 
Esse segundo projeto teve um investimento de US$ 74,8 mil e contou com aporte de diferentes clubes da cidade do Rio de Janeiro, da Alemanha e financiamento da Fundação Rotária.
Buffet e livro de receitas 
Além da capacitação de empreendedoras e merendeiras, o apoio do Rotary ao projeto Maré de Sabores permitiu ainda o desenvolvimento de um serviço de buffet, que atende instituições, universidades e eventos privados. 
O serviço emprega mulheres formadas nas turmas de capacitação e também ajuda a financiar o projeto para que ele siga em funcionamento. 
“O Rotary é muito generoso. Ele vai percebendo quais as demandas que a gente consegue identificar no território e vai nos dando meios de executar o que a gente que precisa desenvolver. Porque a rede vai produzindo projetos a partir das demandas que aparecem no território”, aponta Mariana. 
Outro resultado planejado para essa parceria é a publicação de um livro de receitas desenvolvido a partir das receitas criadas durante a capacitação com as merendeiras. 
A publicação, no entanto, ainda vai levar um tempo para sair, já que as aulas estão em andamento e o projeto deve seguir até setembro do ano que vem.

25 julho, 2022

Fundação Rotária recebe a mais alta classificação da Charity Navigator pelo 14º ano consecutivo

Pelo 14° ano consecutivo, a Fundação Rotária recebeu quatro estrelas da Charity Navigator, a maior classificação outorgada por esta avaliadora independente de instituições beneficentes dos EUA.
A Fundação conquistou o reconhecimento por aderir às melhores práticas do setor e executar sua missão com eficácia, demonstrando tanto solidez financeira quanto compromisso com a transparência. Apenas 1% das organizações avaliadas pela Charity Navigator receberam 4 estrelas 14 vezes consecutivas.
"Estamos honrados pelo reconhecimento e por estarmos entre as melhores instituições beneficentes avaliadas", disse John Germ, chair da Fundação Rotária. "Nossos doadores têm todos os motivos para se sentirem orgulhosos, sabendo que suas contribuições causarão impacto em suas comunidades e no mundo afora por muitos anos."
A classificação reflete o parecer da Charity Navigator sobre como a Fundação utiliza as doações, mantém seus programas e serviços, pratica boa governança e demonstra transparência.
Por Rotary International- 2-fev-2022

05 junho, 2021

O ROTARY RJ ILHA DO GOVERNADOR DESENVOLVE CAMPANHAS E PROJETOS DURANTE A PANDEMIA

Em que pese as limitações impostas pela pandemia do Covid-19, o Rotary RJ Ilha do Governador, sob a gestão do Presidente Sylvio Augusto Regalla Júnior, utilizando os recursos contratados junto à plataforma Zoom, para reuniões virtuais, vem mantendo regularmente suas reuniões, desde o mês de março de 2020, desenvolvendo um conjunto de atividades e projetos que resultaram, e ainda vem resultando, em benefício para as comunidades da Ilha do Governador e vizinhanças.
Os eventos e campanhas, contando com a colaboração de vários parceiros, tiveram seus resultados financeiros direcionados para o Hospital Municipal Nossa Senhora do Loreto, situado no bairro do Galeão, Ilha do Governador; o Banco de Andadores do Rotary RJ Ilha do Governador, o Banco de Cadeiras de Rodas do Rotary RJ Penha; o evento Mc Dia Feliz e a Fundação Rotária. A seguir apresentamos o quê aconteceu no período rotário 2020-2021.

Recuperação de cadeiras de repouso - Hospital Nossa Senhora do Loreto
A primeira iniciativa de sucesso está representada pela recuperação completa de 8 (oito) cadeiras de repouso do Hospital Municipal Nossa Senhora do Loreto, que contou com o apoio decisivo do associado, Vice-Presidente, Sylvio Augusto Regalla. A seguir imagens das cadeiras já recuperadas e a ocasião da entrega.
 

Campanha de tampinhas de recipientes plásticos e lacres de latas de alumínio
Outra iniciativa de grande repercussão tem sido a Campanha de recolhimento de tampinhas, recipientes plásticos e de lacres de latas de alumínio. Os recursos financeiros conseguidos com a venda das tampinhas revertem para o Banco de Andadores do Rotary RJ Ilha do Governador. A primeira etapa da Campanha arrecadou 170 kg de tampinhas, o que possibilitou a aquisição de 3 (três) andadores. Já os lacres conseguidos com a Campanha, são repassados ao Rotary Clube RJ Penha, para troca por cadeiras de rodas.
 

Bingo Beneficente On Line
No dia 30 de março de 2021 foi realizado um Bingo Beneficente On Line, com arrecadação financeira a ser destinada ao Hospital Municipal Nossa Senhora do Loreto. O bingo foi completamente organizado pelas colaboradoras Maria Angélica Rates Regalla (hoje associada do clube) e Martha Villela. O Bingo apresentou o excelente resultado de R$ 2.100,00 (dois mil e cem reais) que resultaram na aquisição de materiais indicados pela direção do Hospital, para sua operação. A então colaboradora Maria Angélica discorreu, em reunião do clube, sobre o sucesso do Bingo da Solidariedade, o qual teve a participação de associados e diversos convidados, com um total aproximado de 40 pessoas e venda de 80 cartelas.
 
 
Os materiais adquiridos foram os seguintes: 2 (dois) rolos de papel contact; 15 (quinze) estetoscópios; 5 (cinco) aparelhos para aferição de pressão arterial; 2 (dois) kits aparelho medidor de glicemia; 1 (um) frasco com 50 (cinquenta) tiras de reagente para medidor de glicemia e 1 (uma) caixa de lanceta para lancetador universal. Os materiais constam, de forma discriminada, do Termo de Doação a seguir apresentado.

Ação do Solidarize - Novembro Azul
No dia 08/11/2020 (domingo), foi realizada Ação do Solidarize - Novemmbro Azul, nas dependências do GRES União da Ilha do Governador, com a parceria do Programa Solidarize, Departamento Social do GRES União da Ilha do Governador e Rotary RJ Ilha do Governador. Outro evento de sucesso para a comunidade insulana que, de acordo com a estatística de atendimentos apresentou o seguinte resultado: Aferição da Pressão Arterial (55); Aferição de Glicose (54); Corte de Cabelo (21); Tranças (11); Identidade Carioca (13); CTPS (01). Total de 155 Atendimentos.
 

 

Evento McDia Feliz
O Rotary RJ Ilha do Governador todos os anos participa do evento McDia Feliz, que consiste na arrecadação de recursos financeiros com a venda de sanduíches Big Mac do Mac Donalds, visando o atendimento a crianças com Neoplasia Malígna, atendidas pela Casa Ronald Mac Donalds. O evento de 2020 permitiu ao clube oferecer sanduíches para crianças das comunidades/instituições carentes da Ilha do Governador assistidas com as doações de Big Mac: Capela São Pedro (Praia da Rosa) - Casa do Índio - Fonte Que Clama - Lar São José - Comunidade do Dendê - Capela Santa Rita - Boogie Woogie - Casa Missionária do Ministério de Missões Beit Immanuel. A seguir, algumas imagens de entregas de sanduíches.
 
Já para o evento de 2021, o Rotary RJ Ilha do Governador iniciou no mês de outubro de 2020 a Campanha McDia Feliz 2021, que estará aberta até o mês de agosto de 2021, visando arrecadar recursos financeiros para atender as crianças com Neoplasia. A Campanha com pleno sucesso, coordenada pelo associado Sérgio Maurício Fabri, arrecadou até o momento desta redação, a importância de R$5.700,00 (cinco mil e setecentos reais), sendo a meta de arrecadação de R$8.000,00, o que representará a aquisição de cerca de 300 (trezentos) sanduíches para crianças das comunidades da Ilha do Governador, além do apoio na própria campanha junto às instituições apoiadas pela Fundação Ronald Mc Donalds. 

Doação de brinquedos e chocolates
Em ação conjunta do GRES Ilha do Governador (Departamento Social – Velha Guarda) e do Rotary RJ Ilha do Governador, no mês de março de 2021, foram doados brinquedos e chocolates para crianças carentes de Comendador Soares.
  

Doações para a Fundação Rotária
No mês de abril de 2021, cada um dos associados do Rotary RJ Ilha concluiu sua doação à Fundação Rotária, totalizando a importância de R$1.200,00, que atinge a meta anual proposta pelo clube. 
Ainda no atual Período Rotário a Associada Honorária Zélia comunicou que o Projeto junto à Fundação Rotária, iniciado no período anterior (2019-2020), incluindo o clube e mais oito clubes, será continuado no próximo período rotário, cabendo a cada clube a participação de US$100, sendo que a participação do clube está aprovada.
Após balanço realizado sobre a disponibilidade financeira do Rotary RJ Ilha do Governador, foi apreciada em Assembleia Geral Extraordinária, a destinação de partes da verba disponível para instituições com as quais o clube mantém relacionamento. Assim é que, por sugestão do associado Vice-Presidente, Sylvio Augusto Regalla, ficou estabelecida a doação de R$3.200,00 (três mil e duzentos reais) para a Fundação Rotária, no atual período 2020-2021, e igual importância no período 2021-2022. Ao lado, o comprovante de depósito.

Doação para Casa da Amizade da Família Rotária da Cidade do Rio de Janeiro
Ainda dentro do contexto desta
 análise do balanço financeiro, com referência a proposta apresentada pelo associado Luiz Carlos Dias e bastante discutida na Assembleia, o clube decidiu na mesma AGE – Assembleia Geral Extraordinária, destinar, a título de doação, a importância de R$32.000,00 (trinta e dois mil reais) para a Casa da Amizade da Família Rotária da Cidade do Rio de Janeiro, com a finalidade única e exclusiva para compra de materiais a serem utilizados na confecção de peças para doação pela Casa. A referida importância será dividida em duas parcelas, sendo a primeira no valor de R$16.000,00 (dezesseis mil reais), repassada ainda no atual período e a segunda parcela, de igual valor, em data a ser definida pelo clube, no próximo período rotário. A seguir, imagem do comprovante de depósito realizado à conta da Casa da Amizade.

25 agosto, 2020

REGIÃO AFRICANA CERTIFICADA COMO LIVRE DA POLIOMIELITE

Mensagem emitida pelo Presidente de Rotary International Holger Knaack e pelo Presidente da Rotary Foundation K.R. Ravindran.

  

Caros rotarianos,
É um grande prazer anunciar que a região africana foi certificada como livre do vírus selvagem da pólio. 
Os rotarianos desempenharam um papel essencial para livrar a região do vírus selvagem da poliomielite. Temos motivos de nos orgulhar do trabalho árduo que fizemos para eliminar o vírus selvagem na região africana e em quase todos os países do mundo. 
Este progresso é resultado de décadas de trabalho intenso em 47 nações do continente, envolvendo milhões de agentes da saúde que percorreram as distâncias em veículos, bicicletas, barcos e até mesmo a pé para chegar às comunidades. Também envolveu estratégias inovadoras para imunizar as crianças em meio a conflitos e inseguranças, e uma enorme rede de vigilância testando casos de paralisia e verificando a presença do vírus nos esgotos.  Nos últimos 20 anos, inúmeros rotarianos em países da região africana e do mundo inteiro trabalharam juntos para arrecadar fundos, imunizar crianças, defender a causa perante líderes locais e nacionais, e aumentar a conscientização sobre a importância da vacinação, permitindo que a Iniciativa Global de Erradicação da Pólio (GPEI) atuasse eficazmente e impedisse surtos de pólio. 
Esta certificação é uma grande conquista na área da saúde pública para os rotarianos, a região africana e os nossos parceiros na GPEI, sinalizando um enorme passo em direção à eliminação da paralisia infantil globalmente. Contudo, ainda é preciso eliminar o vírus selvagem nos últimos dois países em que ele permanece endêmico. 
Nesta jornada para erradicar a pólio, enfrentamos muitos desafios, mas, ao mesmo tempo, fizemos progressos notáveis. A infraestrutura de combate à poliomielite que os rotarianos ajudaram a construir servirá como um legado duradouro que continuará protegendo as crianças contra outras doenças. 
Agora, pedimos para que vocês renovem seu compromisso com a eliminação da paralisia infantil de uma vez por todas. Precisamos de cada um de vocês para cruzarmos a linha de chegada, o que exige de nós a arrecadação anual de US$50 milhões para o Pólio Plus. A erradicação do vírus selvagem na região africana mostra que a erradicação da poliomielite é possível e revela como o nosso trabalho, as nossas parcerias e o nosso compromisso financeiro continuam impulsionando esta iniciativa, mesmo durante uma pandemia global. 
Obrigado pelos seus esforços contínuos, pela conquista de agora termos a região africana livre do vírus selvagem e por permanecerem empenhados em cumprir a nossa promessa de vivermos em um mundo livre da paralisia infantil. 
Cordialmente, 

               Holger Knaak                                                           K.R. Ravindran 
Presidente, Rotary International                                 Chair, Fundação Rotária

02 julho, 2020

O ALGO MAIS DO PÓLIO PLUS

Estamos fazendo muito mais do que erradicar a pólio.
A pólio afetou a vida de Musa Muhammed Ali (na foto ao lado), um agricultor do estado de Borno, na Nigéria, de muitas maneiras. Sempre que precisava comprar ração para seus animais, ele tinha que pagar por algum transporte. Mas, após receber uma handbike financiada com subsídios do Pólio Plus do Rotary, Ali pôde usar seu dinheiro para outras necessidades. Sua vida foi mudada pelo "algo mais" do Pólio Plus.
Quando falamos sobre o Pólio Plus, que, em tradução literal seria Pólio Mais, sabemos que ele trata da erradicação da pólio, mas será que percebemos quantos benefícios adicionais o programa proporciona? O "mais" é outra coisa que é fornecida como parte da campanha de erradicação da pólio. Pode ser uma handbike, acesso à água, tratamento médico adicional, mosquiteiros ou sabonete. Um estudo de 2010 estima que gotas de vitamina A dadas às crianças juntamente com a vacina contra a pólio previnem 1,25 milhão de mortes, ao diminuir a suscetibilidade a doenças infecciosas.
Nessa matéria, levamos você à Nigéria, que em breve poderá ser declarada livre do poliovírus selvagem, e mostramos algumas das muitas maneiras pelas quais a campanha de erradicação da pólio está melhorando vidas.
PREVENÇÃO DE DOENÇAS
É difícil realizar campanhas de vacinação contra a pólio no norte da Nigéria, onde a insurgência do Boko Haram desalojou milhões de pessoas, levando à desnutrição e a aumentos de doenças. Quando a segurança permite, os profissionais de saúde trabalham com zelo para levar a vacina contra a pólio e outros serviços de saúde a todas as crianças, percorrendo cada barraca dos acampamentos para pessoas deslocadas devido à guerra. Os profissionais de saúde retratados aqui estão em Maiduguri, capital de Borno, onde a insurgência começou há 10 anos.
A Iniciativa Global de Erradicação da Pólio (GPEI), da qual o Rotary é o principal parceiro, financia 91% de toda a equipe de imunização na região da África da Organização Mundial da Saúde. Esses funcionários são figuras-chave na luta contra a pólio e outras doenças: 85% dedicam metade do seu tempo à imunização, vigilância e à resposta a surtos de outras iniciativas. Por exemplo, os profissionais de saúde de Borno usam o sistema de vigilância da pólio, que detecta novos casos da doença e determina onde e como eles se originaram, para encontrar pessoas com sintomas de febre amarela. Em 2018, durante uma epidemia de febre amarela, essa foi uma das muitas estratégias que resultaram na vacinação de 8 milhões de pessoas. Durante um surto de ebola na Nigéria em 2014, os profissionais de saúde impediram que a doença se espalhasse para além dos 19 casos relatados, usando métodos desenvolvidos para a campanha de erradicação da pólio a fim de encontrar alguém que pudesse ter entrado em contato com uma pessoa infectada.
As crianças protegidas contra a pólio ainda enfrentam outras doenças e, em Borno, a malária mata mais pessoas do que todas as outras doenças combinadas. Em todo o mundo, uma criança morre de malária a cada dois minutos. Para impedir sua propagação, mosquiteiros tratados com inseticida, como o da foto que Hurera Idris está instalando em sua casa, são frequentemente distribuídos de graça durante eventos de imunização contra a pólio. Em 2017, a Organização Mundial da Saúde, um dos parceiros do Rotary na GPEI, organizou uma campanha para entregar medicamentos contra a malária a crianças em Borno, usando a equipe e infraestrutura da erradicação da pólio. Foi a primeira vez que medicamentos antimaláricos foram entregues em larga escala junto com a vacina contra a pólio, chegando a atingir 1,2 milhão de crianças.
O Rotary e seus parceiros também distribuem sabonete e organizam serviços de saúde em campo para tratar de outras condições. "O 'algo mais' varia de uma região para outra. Dependendo do ambiente e do que é visto como necessidade, tentamos diminuir a lacuna", afirma Tunji Funsho, presidente da Comissão Pólio Plus da Nigéria. "Parte do motivo de recebermos rejeições quando imunizamos crianças é que estamos fazendo isso há muito tempo. Nessa parte do mundo, as pessoas olham para aquilo que é gratuito e persistente com suspeita. Apenas quando sabem que há algo mais, famílias relutantes levam seus filhos para serem imunizados".
As contribuições dos rotarianos ao Pólio Plus ajudam a pagar pelo planejamento feito por especialistas técnicos, por esforços de comunicação em larga escala para conscientizar as pessoas sobre os benefícios da vacinação e pelo apoio de voluntários que vão de porta em porta.
Os mobilizadores comunitários voluntários são uma parte crucial das campanhas de vacinação nas comunidades de mais difícil alcance da Nigéria. Os voluntários são selecionados e treinados pelo UNICEF, um dos parceiros do Rotary na GPEI, e depois colocados na comunidade ou no acampamento para pessoas deslocadas em que vivem. Eles aproveitam o tempo que passam com os membros da comunidade tratando da pólio para falar de outras estratégias que melhoram a saúde das famílias. Fatima Umar, a voluntária da foto, está ensinando Hadiza Zanna sobre higiene e saúde materna e explicando por que a vacinação contra a pólio é tão importante.
Os rotarianos nigerianos há tempos estão à frente quando o assunto é aumentar o apoio para a iniciativa da pólio. Por exemplo, Sir Emeka Offor, associado do Rotary Club de Abuja Ministers Hill, e sua fundação colaboraram com o Rotary e o UNICEF na produção de um áudio-livro chamado Yes to Health, No to Polio (em tradução livre, Sim para a saúde, não para a pólio), usado por profissionais de saúde.
FORNECIMENTO DE ÁGUA LIMPA
Atender a uma necessidade essencial de longo prazo, como o acesso a água limpa, ajuda a construir relacionamentos e a confiança dos membros da comunidade. Nos acampamentos para pessoas deslocadas, os vacinadores às vezes são confrontados com a frustração. "As pessoas dizem: 'Não temos água e você vem dar gotas de pólio'", explica Tunji Funsho. O Rotary e seus parceiros responderam a isso financiando 31 poços movidos a energia solar para fornecer água limpa no norte da Nigéria, e continuam trabalhando nisso. À esquerda, mulheres e crianças coletam água de um poço no assentamento de Madinatu, onde vivem cerca de 5.000 pessoas deslocadas.
O fornecimento de água limpa a comunidades vulneráveis é uma prioridade do programa Pólio Plus não apenas na Nigéria, mas também no Afeganistão e Paquistão, países que continuam endêmicos ou onde a transmissão do vírus nunca foi interrompida. "Fornecer água também é um trabalho nobre", justifica Aziz Memon, presidente da Comissão Pólio Plus do Paquistão.
O acesso à água potável segura também é um aspecto importante da estratégia de fase final da GPEI, que incentiva esforços que "asseguram que as populações atingidas pelas campanhas de pólio também possam acessar serviços básicos necessários, como água potável, saneamento e nutrição". Como o poliovírus se espalha pelos resíduos urbanos, é fundamental garantir que as pessoas não bebam nem tomem banho em água contaminada a fim de erradicar a doença. Bunmi Lagunju, coordenador do projeto Pólio Plus na Nigéria, relata que instalar os poços também ajudou a impedir a propagação do cólera e de outras doenças nos acampamentos.
As comunidades que contam com uma fonte confiável de água limpa desfrutam de uma taxa reduzida de doenças e uma melhor qualidade de vida. "Quando chegamos ao acampamento, não havia poço. Tivemos que ir à fábrica de blocos próxima para conseguir água, o que foi difícil porque a fábrica nos deu apenas uma quantidade limitada", explica Jumai Alhassan (nas fotos acima, no canto inferior esquerdo dando banho em seu bebê). "Somos muito gratos pelas pessoas que nos forneceram água".
CRIAÇÃO DE EMPREGOS
A pólio deixou Isiaku Musa Maaji deficiente, com poucas opções para ganhar a vida. Aos 24 anos, ele aprendeu a construir handbikes (ou triciclos operados pelas mãos) projetadas para fornecer mobilidade a adultos e crianças com deficiência. Mais tarde, começou seu próprio negócio montando esses veículos. Ele conta que sua primeira oportunidade surgiu quando um governo local fez um pedido experimental. Ficaram impressionados com o produto e os pedidos continuaram. A Comissão Pólio Plus da Nigéria encomendou recentemente 150 handbikes de Maaji para distribuir a sobreviventes da pólio e a outras pessoas com problemas de mobilidade. O relacionamento que ele estabeleceu com os rotarianos locais o motivou a participar das campanhas de vacinação de porta em porta.
"Não é fácil ser desafiado fisicamente", ele afirma. "Eu saio para educar outras pessoas sobre a importância da vacina contra a pólio porque não quero que mais ninguém seja vítima dessa doença". Aliyu Issah se considera uma pessoa sortuda, pois é capaz de se sustentar graças à pequena loja de conveniência que possui. Ele conhece outros sobreviventes da doença que participaram de programas de treinamento de habilidades, mas que não têm dinheiro para iniciar um negócio e são forçados a pedir esmola na rua. A GPEI, no entanto, oferece um trabalho especialmente adequado aos sobreviventes da pólio: educar outras pessoas sobre os efeitos da doença.
"Alguns dos meus amigos que costumavam ser mendigos agora administram seus próprios pequenos negócios com dinheiro que ganham trabalhando na campanha de imunização de porta em porta", exemplifica Issah.
PROMOÇÃO DOS CUIDADOS COM A SAÚDE 
Em Maiduguri, Falmata Mustapha anda em uma handbike doada pela Comissão Pólio Plus da Nigéria. Para uma campanha de imunização de porta em porta, vários profissionais de saúde se juntaram a ela, levando as gotinhas a áreas que não contam com cuidados básicos de saúde. Dados do UNICEF mostram que sobreviventes da pólio como Mustapha têm uma taxa de sucesso notável convencendo pais relutantes a vacinar seus filhos. Em média, os sobreviventes convencem sete de cada 10 pais com quem conversam. Em locais onde a desinformação e rumores deixaram as pessoas hesitantes em vacinar, o papel dos sobreviventes na fase final do esforço de erradicação é fundamental.
"Desde quando comecei a trabalhar com a equipe, tenho visto um aumento no cumprimento da imunização na comunidade", afirma Mustapha. "Sou bem vista na comunidade por causa do meu trabalho e fico feliz com isso." Graças à campanha de erradicação da pólio, 18 milhões de pessoas em todo o mundo que teriam morrido ou ficado paralisadas estão vivas e andando. Apoiados pelos subsídios do Pólio Plus, profissionais de saúde e voluntários criaram uma infraestrutura de fornecimento de assistência médica e coleta de dados que não existia antes em muitas partes do globo. Ela já está sendo usada para melhorar os cuidados gerais com a saúde e combater outras doenças, provando que o legado do Pólio Plus não é apenas erradicar uma doença mortal do planeta, mas também construir um sistema de saúde mais forte e com melhor acesso a intervenções que salvam vidas das crianças mais vulneráveis do mundo. 

Essa história foi publicada originalmente na edição de outubro de 2019 da revista The Rotarian. História escrita por Vanessa Glavinskas. Imagens por Andrew Esiebo - Setembro de 2019.

A campanha de erradicação da pólio precisa da sua ajuda para chegar a todas as crianças. Graças à Fundação Bill e Melinda Gates, sua contribuição será triplicada. Para doar, acesse endpolio.org/pt/donate.

Fonte: Informativo Elimine a Pólio Agora - Junho de 2020.


Boletim Semanal nº 41 - Período 2025-2026

Apresentamos o Boletim Semanal n.º 41, do Período 2025-2026. Para leitura completa, clique na imagem abaixo.